É, ele
se apaixonou pelo concreto. Um monte deles. Apaixonar é pouco, ele amou mesmo.
Aí no meio desse tanto de concreto, tinha um imenso parque ao céu aberto. Lá
ele descansava, recuperava as energias. Pelas ruas, onde ficava todo esse
concreto, ele andava diariamente deslumbrado, sem acreditar que estava por ali.
Em silêncio, sempre em silêncio, como uma prece, pra agradecer por estar ali,
era seu sonho. Cortou aquelas ruas em todas as direções. Sentou nas inúmeras
praças entre o mar de concreto, só pra observar aquele povo tão diferente do
seu. Só pra observar e concluir que naquele instante ele fazia parte daquela
realidade. Era de fora, mas se sentia mais dentro do que no seu próprio país.
Era um refugiado de si mesmo. Um dia a vida atropelou ele lá, naquele mar de
concreto e ele teve que voltar. Foi um dia triste, muito, muito triste. Foi
embora contrariado, mas ali, naquele mar de concreto ele não conseguiu chorar.
Aquele monte de concreto e as pessoas que ali adejavam a realidade, não
oportunizava o choro. Era alegria demais estar ali. Mas aí, ele entrou no avião
sozinho, sentou-se sozinho e ao afastar do solo, aí sim ele se desfez em
tristeza. A tristeza do partir, do arrependimento, estava feito, a tristeza do
medo. Está preso no meio, ego ferido, mil ideias sem execução. Sempre correndo
atrás de uma espera que não acaba nunca. A espera de voltar pro concreto que
ele amou.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
Fake Tales of San Francisco - Arctic Monkeys
Hora de tirar as teias de aranha do blog.
Tudo, mas absolutamente que escrevo aqui e o motivo de ter o blog, se justifica em mim mesmo. Isso aqui funciona como uma Penseira (leia os livros de Harry Potter para entender). O que escrevo é pra mim. Não tem público alvo, e não visa agradar a ninguém, embora posicionamentos contrários sejam muito bem-vindos.
O título das postagens serão sempre nomes de músicas que gosto, que eu esteja escutando no exato momento que estiver escrevendo aqui.
A necessidade de escrever, de passar tudo para o papel, tem se tornado algo incisivo, uma vez que a cabeça não tenha dado conta de suportar tanta informação. Então isso aqui será um exercício com o objetivo tão somente de aliviar a cabeça, e vez ou outra emitir MINHAS opiniões.
Lendo as publicaçōes antigas , observei que elas versam em sua maioria em paixões platônicas, como bom Libriano que sou, por pessoas utópicas. Utópicas, porque as pessoas por quem realmente apaixonei embora existissem, eram reproduzidas pelo que eu almejava que elas fossem e de forma patológica (assim poderia dizer) projetava nelas o ideal do que elas não eram, ali no dia a dia.
O problema é quando você descobre que a pessoa é exatamente o oposto da ideia que você projetava. Com o tempo e com vergonha na cara resolvi encarar de frente o que elas eram e cai fora, mesmo tendo sofrido com a ingratidão delas. Enfim, morreram no meu convívio e estão sepultadas nas memórias a serem esquecidas.
E me mostrei um nível de platonismo que eu hoje em dia abomino e desperta preguiça. Não estou pra isso mais. Coitado, estava ali prestes a completar 18 anos e depois na faculdade já com meus 21 anos completos. E o que uma pessoa de 18 anos tem na cabeça? Eu nessa idade só lia livros sobre a Segundo Guerra Mundial, cursava o terceiro ano do ensino médio e fazia cursinho pra passar na UFMG.
Malogrei a aprovação na UFMG, agradeço hoje em dia, pois me tornaria um petulante como a maioria dos acadêmicos de Direito lá são. Qual o problema desse pessoal? Além disso, os discentes do curso confundem liberdade de expressão com algazarra generalizada. São todos pomposos ostentando a camisa preta escrito DIREITO UFMG, alguns estufam o peito, e outros ja carregam o Vade Mecum no primeiro período. Sim, eu já vi. Sim eu perguntei em qual período estava.
Só queria entender a necessidade que as pessoas tem de se auto afirmarem o tempo todo. O retorno é uma satisfação tão volátil quanto a frustração que vem a seguir. Eu falo disso porque passei por isso, fui assim, e foi necessário pra crescer e ver que auto afirmar-se para os outros, é dar uma satisfação que você definitivamente não deve.
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