É, ele
se apaixonou pelo concreto. Um monte deles. Apaixonar é pouco, ele amou mesmo.
Aí no meio desse tanto de concreto, tinha um imenso parque ao céu aberto. Lá
ele descansava, recuperava as energias. Pelas ruas, onde ficava todo esse
concreto, ele andava diariamente deslumbrado, sem acreditar que estava por ali.
Em silêncio, sempre em silêncio, como uma prece, pra agradecer por estar ali,
era seu sonho. Cortou aquelas ruas em todas as direções. Sentou nas inúmeras
praças entre o mar de concreto, só pra observar aquele povo tão diferente do
seu. Só pra observar e concluir que naquele instante ele fazia parte daquela
realidade. Era de fora, mas se sentia mais dentro do que no seu próprio país.
Era um refugiado de si mesmo. Um dia a vida atropelou ele lá, naquele mar de
concreto e ele teve que voltar. Foi um dia triste, muito, muito triste. Foi
embora contrariado, mas ali, naquele mar de concreto ele não conseguiu chorar.
Aquele monte de concreto e as pessoas que ali adejavam a realidade, não
oportunizava o choro. Era alegria demais estar ali. Mas aí, ele entrou no avião
sozinho, sentou-se sozinho e ao afastar do solo, aí sim ele se desfez em
tristeza. A tristeza do partir, do arrependimento, estava feito, a tristeza do
medo. Está preso no meio, ego ferido, mil ideias sem execução. Sempre correndo
atrás de uma espera que não acaba nunca. A espera de voltar pro concreto que
ele amou.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
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